Sergio Bento de Araujo, empresário especialista em educação, costuma reforçar que nenhuma inovação se sustenta sem desenvolvimento profissional docente. A formação continuada não é um evento isolado, mas um processo que transforma práticas em sala de aula, fortalece a cultura da rede e amplia a capacidade da escola de responder a novas demandas, como BNCC, Novo Ensino Médio, tecnologia e IA.
Neste artigo, você vai ver por que a formação funciona melhor quando vira rotina coletiva, como transformar encontros em mudança real, quais competências ganham prioridade, como usar tecnologia sem modismo e como medir impacto com responsabilidade.
Por que a formação continuada funciona melhor quando vira cultura de rede?
Formação continuada funciona melhor quando deixa de ser um “momento” e passa a ser um sistema. Em uma cultura de rede, professores compartilham práticas, analisam resultados e constroem soluções de forma colaborativa. Eventos que reúnem muitos profissionais são importantes para mobilizar e inspirar, mas o ganho real aparece quando a rede transforma esse impulso em rotinas de estudo, planejamento e acompanhamento. Isso reduz a sensação de isolamento docente e cria consistência pedagógica, mesmo com mudanças de equipe ao longo do tempo.

Na visão de Sergio Bento de Araujo, a cultura de rede também melhora a gestão, porque permite alinhar prioridades e criar uma linguagem comum sobre aprendizagem. Em vez de cada escola “inventar do zero”, a rede aprende com experiências bem-sucedidas e se adapta ao seu contexto.
Quando a formação é contínua e coletiva, ela fortalece liderança pedagógica, acelera recomposição de aprendizagens e melhora o clima escolar. O resultado é uma escola mais preparada para o futuro, porque aprende de forma organizada e não apenas por tentativa e erro.
Como transformar encontros e palestras em mudanças de prática em sala?
Transformar encontros em mudança prática exige um método simples: selecionar poucas ideias, traduzir em ações e acompanhar a execução. O erro mais comum é tentar aplicar tudo ao mesmo tempo, informa Sergio Bento de Araujo. A escola precisa escolher o que faz sentido para sua realidade, definir metas claras e criar um plano de experimentação.
Após o evento, coordenadores podem conduzir reuniões de desdobramento, com perguntas objetivas: o que vamos testar, em qual turma, com qual recurso e como vamos observar resultados?
O acompanhamento é o que separa inspiração de transformação. Quando a escola revisita as práticas, observa evidências de aprendizagem e ajusta o plano, a formação vira mudança real. Também ajuda a criar materiais de apoio, como sequências didáticas, bancos de atividades e critérios de avaliação. Assim, o professor não fica sozinho para “traduzir” conceitos. A formação se torna prática, aplicável e conectada ao cotidiano, gerando resultados percebidos por alunos, famílias e equipe.
Quais competências docentes ganham prioridade com BNCC e Novo Ensino Médio?
Com BNCC e Novo Ensino Médio, competências docentes prioritárias incluem planejamento por habilidades, avaliação formativa e integração entre áreas. O professor precisa dominar estratégias de ensino que desenvolvam pensamento crítico, comunicação, resolução de problemas e letramento digital, sem abandonar fundamentos como leitura, escrita e matemática. Também cresce a demanda por práticas interdisciplinares, projetos e metodologias que engajem o estudante e conectem aprendizagem à vida real.
Na abordagem de Sergio Bento de Araujo, há três focos que merecem prioridade na formação. Primeiro, clareza de objetivos: o que o aluno precisa aprender e como demonstrará isso. Segundo, gestão de sala e engajamento, porque aprendizagem depende de ambiente organizado e motivador. Terceiro, capacidade de usar dados, mesmo simples, para ajustar ensino.
Quando a formação fortalece essas competências, a escola não apenas cumpre diretrizes, mas melhora qualidade. O futuro da educação passa por professores com método, repertório e autonomia orientada por evidências.
Como tecnologia e IA entram na formação sem virar modismo?
Tecnologia e IA entram na formação quando resolvem problemas concretos da prática docente, como planejamento, diferenciação de atividades e análise de devolutivas. Ferramentas podem apoiar produção de materiais, organização de trilhas e criação de atividades adaptadas, mas o foco deve ser pedagógico.
A IA não substitui o professor, porque não compreende contexto, vínculos e necessidades emocionais da turma, frisa Sergio Bento de Araujo. Ela pode, no máximo, reduzir tarefas operacionais para que o docente tenha mais tempo de mediar a aprendizagem.
A formação tecnológica precisa incluir governança: critérios de uso, privacidade de dados, transparência e limites éticos. Também deve ensinar pensamento crítico sobre ferramentas, evitando adoção por marketing. Um bom caminho é começar pequeno, com pilotos e metas claras, medindo impacto na aprendizagem e no trabalho do professor. Quando a escola define propósito, a tecnologia deixa de ser “novidade” e vira infraestrutura pedagógica. Isso sustenta inovação com responsabilidade e protege a rede de desperdício de tempo e recursos.
Como medir o impacto da formação em aprendizagem e clima escolar?
Medir o impacto não é apenas contar horas de curso, mas observar mudanças no ensino e nos resultados dos alunos. Os indicadores podem incluir evolução em leitura e matemática, qualidade de tarefas, participação dos estudantes e consistência do planejamento entre turmas. Também vale observar o clima escolar: redução de conflitos, aumento de engajamento e maior colaboração entre professores. A avaliação precisa ser simples, para não virar burocracia. O essencial é ter um ciclo de melhoria: planejar, aplicar, observar e ajustar.
Na visão de Sergio Bento de Araujo, a melhor métrica é aquela que gera decisão. Se a formação melhorou a avaliação formativa, a rede amplia essa prática. Se um tema não gerou mudança, ajusta-se o formato. Ferramentas digitais podem ajudar a coletar evidências, mas a interpretação deve ser humana e pedagógica.
Quando a escola mede impacto com responsabilidade, ela transforma formação continuada em investimento estratégico. O resultado é uma rede mais forte, com professores mais seguros e alunos aprendendo mais, de forma consistente e sustentável.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez