Embalagens antiestáticas: Quais falhas comprometem a proteção? Saiba como evitar prejuízos no transporte

Por Lucy Hartwick 5 Min de leitura

Um componente eletrônico pode atravessar quilômetros sem ser danificado e ainda assim chegar inutilizado ao destino. A contradição é apenas aparente, explica Elias Assum Sabbag Junior, especialista em embalagens plásticas. O dano mais comum nesse tipo de carga não vem de impactos ou quedas, mas de descargas eletrostáticas invisíveis, geradas pelo próprio manuseio e pelo atrito entre materiais durante o transporte.

Componentes eletrônicos, tais como placas de circuito, sensores, módulos e semicondutores, são sensíveis a correntes de baixa intensidade, imperceptíveis ao corpo humano. Uma descarga pode ocasionar falha imediata ou enfraquecer o componente de maneira silenciosa, resultando em defeitos que somente são aparentes após a montagem ou quando o produto já está em posse do consumidor.

Onde a eletricidade estática surge na cadeia logística?

A carga eletrostática é gerada quando duas superfícies em contato se separam. Esse procedimento é realizado em quase todas as etapas do processo logístico, incluindo a retirada das peças da produção, o acondicionamento, o transporte, a abertura das embalagens e a separação de pedidos.

As embalagens plásticas contribuem para o agravamento da situação, em função de sua natureza isolante. Em ambientes secos e com alto fluxo de manuseio, a proteção pode ser comprometida, resultando em cargas que não deveriam estar ali.

Como observado pelo empresário Elias Assum Sabbag Junior, o risco aumenta nos pontos de transição da cadeia. Quando um componente é retirado de uma área sob controle, tais como a área de montagem dotada de bancadas aterradas, e é transportado para um armazém ou veículo sem a devida atenção, a embalagem se torna a principal barreira de proteção disponível.

Essa constatação implica uma mudança no papel da embalagem no planejamento logístico. A peça deixa de ser apenas um meio de agrupar e transportar componentes e passa a integrar o sistema de controle de qualidade da indústria eletrônica, com especificações tão relevantes quanto as do próprio componente.

Elias Assum Sabbag Junior
Elias Assum Sabbag Junior

Como especificar a proteção adequada?

As embalagens antiestáticas recebem aditivos, cujos componentes alteram o comportamento elétrico do material. Algumas reduzem a produção de cargas por atrito, outras as dispersam de maneira gradual e algumas criam uma barreira protetora. O tipo ideal de material depende da sensibilidade das peças.

Na avaliação de Elias Assum Sabbag Junior, um erro frequente é proteger apenas a caixa externa. Divisórias, separadores e bandejas que mantêm contato direto com o componente devem receber o mesmo tratamento, pois uma única superfície isolante no interior da embalagem pode anular a proteção do conjunto.

É imprescindível avaliar a durabilidade do tratamento, especialmente em embalagens retornáveis. Em virtude da alta demanda por desempenho, é imprescindível a realização de verificações periódicas em caixas de plástico corrugado que circulam por muitas viagens. Unidades desgastadas ou contaminadas devem ser retiradas de uso.

A identificação visual é importante nas boas práticas. Quando embalagens com proteção eletrostática são facilmente reconhecidas por cor ou marcação, diminui o risco de acondicionamento errado na separação. Ademais, Elias Assum Sabbag Junior destaca que tal medida, embora simples, deve ser implementada em conjunto com o treinamento das equipes de armazém e expedição, que nem sempre estão cientes dos riscos envolvidos no manuseio de produtos eletrônicos.

O custo de um dano que ninguém vê

Ademais, o dano eletrostático apresenta uma característica que o torna especialmente oneroso: sua detecção é difícil, uma vez que raramente é percebido no momento em que ocorre. A peça segue pela cadeia, é montada, passa por testes e, em alguns casos, só falha depois de entregue ao cliente final, quando o custo de substituição, garantia e desgaste de imagem já se multiplicou.

A análise de Elias Assum Sabbag Junior contribui para a compreensão de que, nesse caso, a prevenção tem mais valor do que a inspeção. Investir em embalagens antiestáticas adequadas e em rotinas de manuseio coerentes é a forma de impedir que um problema invisível na logística se transforme em um problema visível na reputação do produto.

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