De acordo com o Doutor Yuri Silva Portela, pós-graduado em geriatria, o sono pode mudar com o envelhecimento, mas isso não significa que dormir pouco deva ser considerado automaticamente normal depois dos 60 anos. Sono, disposição e funcionalidade estão relacionados e podem influenciar diretamente a rotina e a qualidade de vida na terceira idade.
Continue a leitura para mais!
O envelhecimento realmente modifica o sono? Veja com o Doutor Yuri Silva Portela
Com o avanço da idade, a organização do sono pode sofrer alterações. Algumas pessoas passam a sentir sono mais cedo à noite e também despertam antes pela manhã. O sono pode ficar mais leve e apresentar maior número de interrupções, fazendo com que a percepção de uma noite contínua e profunda se torne menos frequente. Essas transformações podem modificar a rotina de descanso sem significar, necessariamente, que exista um problema relacionado ao sono.
Essas mudanças ajudam a explicar por que comparar o sono aos 70 anos com aquele dos 30 pode gerar expectativas pouco realistas. Entretanto, envelhecer não significa deixar de precisar de descanso adequado. A quantidade necessária varia entre indivíduos, e a qualidade do período dormido também precisa entrar nessa avaliação. Por isso, observar como a pessoa se sente ao despertar e ao longo do dia pode ser tão importante quanto contabilizar as horas passadas na cama.
Nesse sentido, o Doutor Yuri Silva Portela permite relacionar o tema à observação da funcionalidade. Mais importante do que analisar somente quantas horas aparecem no relógio é perceber como a pessoa funciona durante o dia. Acordar descansada e manter disposição possui significado diferente de dormir pouco e passar o restante do tempo lutando contra o cansaço. Mudanças persistentes na energia, atenção e capacidade de realizar atividades habituais podem indicar que a qualidade do descanso merece uma avaliação mais cuidadosa.
Acordar várias vezes durante a noite é sempre esperado?
Despertares noturnos podem se tornar mais frequentes com a idade, mas existem diferentes razões capazes de interromper o sono. Dor, necessidade de urinar, desconfortos respiratórios, ansiedade, ambiente inadequado e alguns medicamentos podem contribuir para que a pessoa acorde repetidamente. Identificar quando essas interrupções começaram e se existe algum padrão ao longo da noite pode ajudar a compreender melhor o que está interferindo no descanso.

Por isso, simplesmente aceitar uma noite muito fragmentada como consequência inevitável da velhice pode atrasar a identificação de fatores modificáveis. O Doutor Yuri Silva Portela destaca que também é importante observar se o idoso consegue voltar a dormir rapidamente ou permanece acordado durante períodos prolongados, já que as duas situações produzem experiências bastante diferentes.
Dormir pouco importa quando o idoso diz estar bem?
O número de horas, isoladamente, não conta toda a história. Existem diferenças individuais, e algumas pessoas funcionam adequadamente com padrões distintos de sono. Por essa razão, estabelecer uma quantidade rígida sem considerar disposição, rotina e condições de saúde oferece uma visão incompleta. A regularidade dos horários e a sensação de descanso ao despertar também ajudam a compreender se o sono está atendendo às necessidades da pessoa.
A atenção aumenta quando a mudança é recente ou acompanhada por consequências durante o dia. Sonolência persistente, dificuldade de concentração, alterações de humor e redução da disposição podem indicar que o descanso não está sendo suficiente ou que existe algum fator interferindo em sua qualidade. Essas manifestações também podem repercutir na realização de atividades cotidianas e modificar gradualmente o nível de participação do idoso em sua rotina.
Para o Doutor Yuri Silva Portela, observar mudanças em relação ao padrão habitual é particularmente útil no envelhecimento. Se alguém sempre dormiu de determinada maneira e, repentinamente, começa a passar grande parte da noite acordado ou apresenta cansaço incomum durante o dia, a alteração merece ser compreendida em vez de simplesmente atribuída à idade. A comparação com o funcionamento anterior permite identificar com maior clareza quando uma mudança deixou de ser apenas uma variação habitual e passou a interferir no bem-estar cotidiano.