Para Tiago Schietti, a discussão sobre acessibilidade nos cemitérios ainda avança de forma lenta no Brasil, apesar de ser uma necessidade urgente e legalmente respaldada. Espaços de despedida e memória precisam ser acolhedores para todos, independentemente de limitações físicas ou motoras. Neste artigo, você vai encontrar uma análise aprofundada sobre os principais desafios estruturais, as obrigações legais e os caminhos práticos para transformar cemitérios em locais verdadeiramente inclusivos.
Por que a acessibilidade em cemitérios ainda é negligenciada?
Segundo Tiago Schietti, cemitérios historicamente foram projetados sem considerar as necessidades de pessoas com mobilidade reduzida. A lógica dos espaços funerários priorizou a organização dos jazigos e a otimização do terreno, deixando em segundo plano questões como rampas, pisos adequados e sinalização tátil. Esse modelo consolidado ao longo de décadas gera um passivo estrutural difícil de reverter sem planejamento e investimento direcionado.
Por outro lado, a demanda por acessibilidade nesses ambientes é crescente. O envelhecimento da população brasileira amplia o número de frequentadores com dificuldades locomotoras, seja em cadeiras de rodas, com uso de bengalas ou com outras condições que limitam o deslocamento. Ignorar essa realidade é, além de uma falha ética, uma violação direta aos direitos garantidos pela Lei Brasileira de Inclusão.
Quais são as principais barreiras físicas encontradas nesses espaços?
Os obstáculos mais comuns em cemitérios incluem pisos irregulares, ausência de rampas de acesso, calçadas estreitas entre os túmulos e falta de banheiros adaptados. Cada um desses fatores compromete a dignidade do momento vivido pelas famílias, especialmente em datas de grande afluência, como o Dia de Finados. A soma dessas barreiras transforma o luto em um desafio logístico desnecessário para quem já carrega uma dor emocional intensa.
Conforme aponta Tiago Schietti, as soluções para esses problemas existem e são tecnicamente viáveis. A instalação de pisos antiderrapantes e nivelados, a criação de rotas acessíveis sinalizadas e a adaptação das estruturas de apoio são medidas que podem ser implementadas de forma gradual, com planejamento adequado e sem comprometer a integridade estética e simbólica dos espaços.

Como a legislação orienta a adaptação dos cemitérios para acessibilidade?
A Lei Brasileira de Inclusão, sancionada em 2015, estabelece que todos os espaços de uso coletivo devem garantir condições de acesso e permanência para pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida. Cemitérios, por receberem o público em momentos de extrema vulnerabilidade emocional, enquadram-se diretamente nessa obrigação. O cumprimento da lei, portanto, não é opcional, mas uma responsabilidade dos gestores públicos e privados desses espaços.
De acordo com Tiago Schietti, a fiscalização ainda é insuficiente, e muitos cemitérios operam sem qualquer plano de adequação às normas vigentes. A ausência de penalidades efetivas contribui para a inércia dos administradores. Nesse contexto, a pressão social e o engajamento das famílias que utilizam esses espaços se tornam ferramentas essenciais para acelerar as mudanças necessárias.
Quais adaptações práticas podem transformar um cemitério em espaço inclusivo?
A transformação de um cemitério em espaço acessível passa por um conjunto de ações integradas. Abaixo, estão as principais intervenções recomendadas para garantir dignidade e segurança a todos os visitantes:
- Instalação de rampas e rebaixamento de guias em todos os acessos principais;
- Pavimentação nivelada e antiderrapante nas rotas de circulação;
- Sinalização tátil e visual ao longo dos caminhos internos;
- Banheiros adaptados com espaço para cadeirantes;
- Estacionamento reservado próximo às entradas principais;
- Bancos e áreas de descanso distribuídos ao longo do percurso.
Essas intervenções, quando bem planejadas, não apenas atendem às exigências legais, mas também elevam a qualidade da experiência de todas as famílias presentes, com ou sem necessidades especiais. A acessibilidade, nesse sentido, beneficia o coletivo e reforça o caráter humanizado do espaço.
A inclusão nos cemitérios começa pelo olhar de quem os administra
Como destaca Tiago Schietti, a acessibilidade em cemitérios não é um tema periférico. Trata-se de uma questão central para garantir que o direito ao luto seja exercido com dignidade por todas as famílias, sem exceção. Adaptar esses espaços é um ato de respeito à dor humana e um compromisso com os valores mais fundamentais da sociedade inclusiva que se deseja construir.
A mudança de postura começa pelo reconhecimento do problema e avança com ações concretas, planejamento técnico e vontade política. Cemitérios acessíveis são, acima de tudo, cemitérios mais humanos. E humanizar esses espaços é uma responsabilidade que não pode ser adiada.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez