Festival de Inverno de Campos do Jordão chega à 56ª edição com mais de 80 concertos gratuitos

Por Diego Velázquez 7 Min de leitura

Evento reúne grandes orquestras, ópera e música de câmara em Campos do Jordão e São Paulo até 2 de agosto, com entrada franca ao público.

O maior festival de música clássica da América Latina abriu sua programação neste mês com força total. Criado em 1970 pelos maestros Eleazar de Carvalho, Camargo Guarnieri e Souza Lima, o Festival de Inverno de Campos do Jordão chegou à sua 56ª edição reunindo mais de 80 apresentações gratuitas, distribuídas entre a Serra da Mantiqueira e a capital paulista. Sob a direção artística do maestro Roberto Minczuk, o evento se estende de 4 de julho a 2 de agosto e volta a atrair um público que combina moradores locais, turistas e amantes de música erudita de várias partes do país. A abertura oficial aconteceu no Parque Capivari, com um concerto ao ar livre da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo, sob regência do diretor musical Thierry Fischer. Para quem acompanha o calendário cultural brasileiro, a expectativa em torno da programação deste ano é alta, especialmente pela chegada de novos espaços e pela ampliação do módulo pedagógico voltado a jovens músicos.

Programação artística ocupa seis espaços na serra e três em São Paulo

Nesta edição, o festival ocupa seis palcos em Campos do Jordão: o Auditório Claudio Santoro, o Parque Capivari, a Concha Acústica do próprio auditório, o CARDE Museu, a Capela São Pedro Apóstolo, no Palácio Boa Vista, e o Espaço Cultural Dr. Além. Em São Paulo, as apresentações acontecem na Sala São Paulo, que reúne a Sala de Concertos, a Estação Motiva Cultural e, pela primeira vez, a recém-inaugurada Sala Eleazar de Carvalho.

Entre os destaques está a montagem completa da ópera “A Flauta Mágica”, de Mozart, interpretada pelo recém-criado Núcleo de Ópera do Festival, reunindo a Orquestra do Festival, o Coro do Festival e jovens cantores selecionados pela Academia de Ópera. A produção teve apresentações também nos dias 8, 9, 11 e 12 de julho, no Auditório Claudio Santoro.

O feriado de 9 de julho concentrou uma programação intensa: a Big Band da Brasil Jazz Sinfônica se apresentou na Concha Acústica, enquanto o Parque Capivari recebeu a Brasil Jazz Sinfônica ao lado da cantora Mariana Aydar. Já o CARDE Museu foi palco da Corporação Musical Lyra de Mauá, mostrando como o festival dialoga entre música de concerto e expressões populares.

Módulo pedagógico oferece bolsas de estudo e prêmio internacional

Considerado o coração do festival, o Módulo Pedagógico distribui 140 bolsas de estudo para jovens instrumentistas brasileiros e estrangeiros em cinco frentes de formação: Academia de Ópera, Música de Câmara, Regência, Violão e Orquestra do Festival. Ao longo de um mês, os bolsistas participam de aulas, ensaios e masterclasses ao lado de professores convidados de diferentes países.

Como reconhecimento ao destaque na temporada, o bolsista mais bem avaliado recebe o Prêmio Eleazar de Carvalho, que garante uma bolsa mensal de 1.400 dólares por até nove meses para estudar em uma instituição de ensino no exterior, incluindo despesas de deslocamento. Outros participantes também podem ser contemplados com bolsas complementares na Academia de Música da Osesp.

O diretor artístico Roberto Minczuk explicou que o foco desta edição foi trazer profundidade ao repertório. Segundo ele, o público poderá mergulhar no universo de Johannes Brahms, com as quatro sinfonias do compositor, obras orquestrais e mais de 30 peças de música de câmara, além de acompanhar a produção completa de “A Flauta Mágica”.

Realização conta com apoio do governo estadual e da Lei Rouanet

O festival é realizado pela Fundação Osesp em parceria com o Governo do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas, e conta com o apoio do Ministério da Cultura, via Lei Federal de Incentivo à Cultura. A 56ª edição tem patrocínio da Desenvolve SP e da Yelum Seguradora, além do apoio de Minalba, Nacional Gás e AlmavivA.

Para a secretária de Cultura do Estado, Marília Marton, o festival é um símbolo da vitalidade cultural paulista. Ela destacou que a combinação entre grandes artistas, formação de novas gerações por meio de bolsas e acesso gratuito reafirma o compromisso com uma cultura plural e acessível à população.

O presidente da Fundação Osesp, Marcelo Lopes, reforçou ainda o papel do evento na economia criativa, ao levar programação gratuita de alta qualidade tanto para Campos do Jordão quanto para São Paulo, favorecendo o intercâmbio entre alunos, professores e artistas convidados ao longo de mais de cinco décadas de história.

Todas as apresentações têm entrada gratuita, com retirada de ingressos disponibilizada três dias antes de cada concerto pelo site oficial do festival, limitada a quatro unidades por pessoa. A programação completa e atualizada pode ser consultada diretamente no portal do evento, que segue sendo atualizado ao longo das próximas semanas.

Com um mês de duração, o Festival de Inverno de Campos do Jordão volta a colocar o interior paulista no centro do calendário cultural do país. A combinação entre música de concerto, formação artística e acesso democrático ao público segue sendo o traço que sustenta a tradição do evento desde sua criação, há mais de cinco décadas.

Fontes:
https://www.cultura.sp.gov.br/sec_cultura/Institucional/Noticias_da_Secretaria_da_Cultura/ficj_56
https://www.tribunadosertao.com.br/geral/2026/07/01/932513-festival-de-inverno-de-campos-do-jordao-abre-56a-edicao-gratuita
https://billboard.com.br/festival-de-inverno-de-campos-do-jordao-2026/

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