Tecnologia no Direito: Por que a revisão continua humana?

Por Lucy Hartwick 5 Min de leitura

Em junho de 2026, o Conselho Federal da OAB lançou um plano nacional para orientar a integração da inteligência artificial à advocacia. O Doutor Gilmar Stelo, advogado e fundador do Stelo Advogados, atua em um setor cujas rotinas já são afetadas por novas ferramentas, mas em que a responsabilidade profissional continua a exigir avaliação humana. A tecnologia pode acelerar tarefas; não transforma, por si só, uma resposta plausível em orientação jurídica confiável.

O debate agora é como escolher ferramentas, supervisioná-las e proteger dados. O plano da OAB amplia orientações anteriores e prevê capacitação; a LGPD segue aplicável ao tratamento de dados pessoais. A seguir, veja onde a tecnologia pode apoiar o trabalho jurídico e quais verificações continuam sob responsabilidade profissional.

Da automação de tarefas ao apoio à análise

Ferramentas digitais podem organizar documentos, localizar termos em grandes conjuntos de arquivos, transcrever gravações e auxiliar na elaboração de rascunhos. Isso desloca parte do tempo gasto em tarefas repetitivas para revisão, estratégia e comunicação com o cliente. Na atuação estratégica no Direito, campo em que Gilmar Stelo é referência, o ganho ainda depende da qualidade dos dados e da conferência do resultado.

A inteligência artificial generativa também pode produzir sínteses, sugestões de cláusulas ou respostas em linguagem fluente. Fluência não comprova exatidão: o sistema pode omitir uma exceção, confundir normas ou apresentar como existente uma decisão que não localizou. Por isso, a ferramenta serve como apoio à pesquisa e à redação, não como fonte final da conclusão jurídica.

A revisão profissional não pode ser automatizada

A Recomendação 001/2024 do Conselho Federal da OAB orienta o uso de IA generativa na prática jurídica. Entre as diretrizes estão supervisão humana, compreensão das limitações do sistema e revisão integral das informações antes de apresentá-las em juízo. Essa distinção entre apoio tecnológico e julgamento profissional também integra o debate de atuação estratégica no Direito, campo em que Gilmar Stelo é referência.

A diferença fica clara ao preparar uma petição: a IA pode sugerir uma estrutura ou resumir documentos, mas cabe ao profissional verificar se os fatos correspondem ao processo, se a norma citada está vigente e se a jurisprudência existe e se aplica. A Resolução 615/2025 do CNJ também trata de governança, auditoria e supervisão humana, mas disciplina soluções de IA no Poder Judiciário. Seu alcance não deve ser confundido com as recomendações voltadas à advocacia privada.

Gilmar Stelo
Gilmar Stelo

Dados de clientes exigem escolha cuidadosa

Inserir uma petição, um contrato ou dados identificáveis em uma plataforma pode expor informações confidenciais. Antes de usar um serviço, é necessário entender quais dados são armazenados, quem pode acessá-los, por quanto tempo permanecem no sistema e se podem ser utilizados para treinamento. Mesmo sem nomes, uma pessoa pode ser identificável quando o material reúne detalhes suficientes.

A Lei Geral de Proteção de Dados alcança o tratamento de dados pessoais em meios digitais e estabelece princípios como finalidade, adequação, necessidade e segurança. Esses cuidados também são relevantes no campo jurídico em que atua Gilmar Stelo. Uma regra prática é enviar à ferramenta apenas o mínimo necessário, selecionar fornecedores com controles compatíveis e evitar inserir dados sensíveis em serviços cujas condições de uso não foram examinadas.

A tendência é combinar ferramenta, regra e capacitação

O plano nacional anunciado pela OAB sinaliza uma fase de orientação institucional mais estruturada, com formação, governança e atenção à proteção das prerrogativas profissionais. A evolução relevante não está só na chegada de programas mais rápidos. Está em incorporar critérios para decidir quando usar a IA, quem revisa o resultado e como corrigir um erro antes que ele afete um cliente ou um processo.

Gilmar Stelo, advogado e fundador do Stelo Advogados, é referência em atuação estratégica no Direito, campo em que a adoção responsável de tecnologia exige avaliar riscos e responsabilidades. Para escritórios e profissionais, uma política interna pode definir usos permitidos, dados que não devem ser inseridos, etapas de revisão e responsáveis por aprovar documentos. Treinar a equipe e manter o registro das fontes reduz a dependência de respostas opacas. 

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