Casos de doenças inflamatórias intestinais crescem cinco vezes no Brasil em 13 anos

Por Redação Jornal Cultural 5 Min de leitura

A incidência de doenças inflamatórias intestinais (DII) aumentou de 30 para 158 casos por 100 mil habitantes no Brasil entre 2012 e 2025. O dado representa um crescimento de mais de cinco vezes no período e foi apresentado durante o 74º Congresso Brasileiro de Coloproctologia, realizado em Balneário Camboriú, Santa Catarina.

O levantamento foi baseado em registros do Sistema Único de Saúde (SUS) e analisou enfermidades como a doença de Crohn e a retocolite ulcerativa. Os resultados foram divulgados em reportagem da Agência Brasil, publicada em 25 de setembro de 2026. O congresso ocorreu até o dia 26 do mesmo mês.

O que são as doenças inflamatórias intestinais

As DII são condições crônicas que provocam inflamação no sistema digestivo. Entre as principais estão a doença de Crohn, que pode atingir diferentes partes do trato gastrointestinal, e a retocolite ulcerativa, relacionada à inflamação do intestino grosso. A intensidade e a forma de manifestação podem variar de uma pessoa para outra.

De acordo com informações da Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério da Saúde, essas doenças não têm cura definitiva atualmente, mas podem ser controladas com tratamento, alimentação adequada e acompanhamento profissional. O cuidado contínuo é importante porque as DII podem afetar a rotina, a alimentação, o trabalho, os estudos e o bem-estar emocional.

Sintomas que merecem atenção

Dor abdominal, diarreia persistente, sangramento nas fezes, perda de peso e urgência para evacuar estão entre os sinais que podem indicar a necessidade de investigação médica. A presença ou a intensidade dos sintomas não permite, sozinha, confirmar uma doença inflamatória intestinal, já que outras condições também podem provocar alterações digestivas semelhantes.

Por esse motivo, a persistência dos sintomas deve ser discutida com um profissional de saúde. A avaliação pode envolver o histórico clínico, exames e encaminhamento para um gastroenterologista ou coloproctologista, conforme a necessidade. O diagnóstico adequado ajuda a diferenciar as DII de outras doenças e a definir a estratégia de acompanhamento.

Novos diagnósticos também aumentaram

Além do crescimento da incidência acumulada, o estudo identificou alta no número de novos diagnósticos anuais. A taxa passou de 9,35 para 12,34 casos por 100 mil habitantes entre 2012 e 2025, segundo os dados apresentados no congresso.

Os pesquisadores avaliam que diferentes fatores podem estar associados a esse cenário. Entre as possibilidades estão a predisposição genética, alterações ambientais, poluição e mudanças nos hábitos alimentares. A pesquisa, porém, não estabelece uma causa única para o avanço das DII, que são consideradas multifatoriais.

Essa distinção é importante para evitar conclusões simplificadas. Embora a alimentação faça parte do cuidado individual e possa influenciar a qualidade de vida, os dados apresentados não permitem afirmar que alimentos ultraprocessados, isoladamente, sejam a causa do aumento observado. A orientação alimentar deve ser individualizada e feita com apoio de profissionais.

Acompanhamento pode ajudar no controle

O tratamento das doenças inflamatórias intestinais depende do quadro de cada paciente e deve ser definido pela equipe responsável. O acompanhamento médico permite observar a evolução da inflamação, controlar sintomas e ajustar as condutas quando necessário. A participação de nutricionistas também pode contribuir para adequar a alimentação às necessidades de cada pessoa.

A saúde intestinal ainda pode se relacionar com aspectos emocionais e sociais. Sintomas imprevisíveis, urgência para evacuar e restrições alimentares podem interferir na vida cotidiana e gerar sofrimento. Por isso, o cuidado não deve se limitar ao intestino: qualidade de vida e saúde mental também precisam ser consideradas durante o acompanhamento.

O aumento registrado no Brasil reforça a importância de reconhecer sinais persistentes e buscar atendimento. Informações sobre sintomas podem orientar a procura por ajuda, mas não substituem a avaliação clínica. Pessoas com alterações digestivas recorrentes devem conversar com um profissional de saúde para investigar as causas e receber orientação adequada.

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